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Historicamente, a agricultura é fundamentalmente uma atividade familiar. A necessidade de redução de custos e de ganhos de escala induziu um processo de modernização que resultou em forte presença da agricultura empresarial ou patronal em muitas atividades. Entretanto, a agricultura familiar continua a ter papel fundamental. No Brasil, ela reúne hoje, segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), cerca de 14 milhões de pessoas (60% do total da agricultura) e detém 75% dos estabelecimentos agrícolas do País, com 25% das terras cultivadas, sendo responsável por 35% de todo o volume de produção agrícola nacional.

A agricultura familiar tem grande capacidade de gerar empregos e distribuir renda. Enquanto a agricultura empresarial emprega uma pessoa a cada 60 hectares, ela necessita de apenas nove hectares para gerar o mesmo emprego. Além disso, atende nichos de mercado específicos, cria oportunidades de geração de divisas e contribui para a diversificação do uso do espaço rural, incluindo atividades que preservam o meio ambiente. Comprometidas com o setor, as Instituições de Pesquisa e de Desenvolvimento Agropecuário investiram, em 1998, R$ 91.208.515,20 em ações de interesse da agricultura familiar.

A tecnologia é fator essencial para o desenvolvimento agrícola e florestal. Parte significativa do esforço feito pela pesquisa agropecuária brasileira em grãos (arroz, feijão, milho, soja, trigo), animais (bovinos, caprinos, ovinos, suínos, aves), frutas, hortaliças, matérias-primas (como algodão), florestas e sistemas agroflorestais tem aplicação e interesse para o agricultor familiar. Programas de pesquisa específicos como o de «Agricultura Familiar» e «Desenvolvimento Rural», visam organizar tecnologias e sistemas de produção para aumentar a eficiência deste setor. É o que pode ser constatado nas diversas iniciativas relatadas a seguir.


Fonte: Embrapa